quinta-feira, 29 de abril de 2010

Boas descobertas do Chile



Santiago é um charme só, não sei se porque era fim de semana o que tira um pouco do peso da cidade grande, ou porque ela simplesmente o é. Prefiro pensar o último. Até consegui ver os Andes traçados atrás da cidade. Emocionante. Os Andes emocionaram demais, me senti um grãozinho de areia ou até menos diante da imensidão e onipotência da paisagem. Na minha passagem pela região, a paisagem tomou meus olhos e ficou gravada em mim de tal forma que sinto saudades de simplesmente ficar olhando. Já é uma satisfação imensa simplesmente ficar olhando..

Depois dessa declaração sobre os Andes, o outro ponto sobre o Chile fica até pequeno. hehehehe..
Bom, viajar pelo Chile é ótimo mas realmente os terremotos abalaram o turismo. No hostel que ficamos, só estava nosso grupo (tudo bem, éramos 14 pessoas, mas não tinha mais ninguém!). E vale a pena, viu...
Enfim, na nossa caminhada pela cidade passamos por lugares ótimos como o Cierro de Santa Lucia e Cierro San Cristóbal (esse último é legal pra subir de bondinho e assistir um pôr do sol fantástico!). E foi no Museu Nacional de Bellas Artes que fiquei matutando por um tempo, já me explico: na parte da coleção do Museu tinha uma parte sobre religião, nada mais comum em um país com colonização espanhola católica que várias pinturas com essa temática. Porém, havia uma sala pequena com 4 quadros um pouco diferentes, abordavam uma temática religiosa mas com fundo (frente, lados,..) críticos. E dois artistas me chamaram atenção, Cláudio Bravo e Guillermo Frommer. Seus quadros se chamavam Tentaciones de San Antonio. Encontrei a reprodução do quadro de Cláudio Bravo, mas de perto ele é ainda mais fantástico. Os traços são muito realistas e o quadro apresenta diversos elementos que se contradizem. Bom, não sou muito boa falando sobre quadros, então eu o coloco aqui pra quem tiver curiosidade. Ah, o quadro é de 1984.


Ah, meu flickr com algumas fotinhas: www.flickr.com/photos/cacraice

terça-feira, 27 de abril de 2010

Hábituando-se aos hábitos.

Por aqui, existem duas coisas muito comum de encontrar: o cigarro e o mate. O mate não sei se é tão comum por toda a Argentina quanto o é em Santa Fé, o cigarro já pude experenciar em outros lugares poraí desse imenso país.

Logo que cheguei em Buenos Aires, andando pelo aeroporto às 3h da matina, meio acordada meio dormindo, recém saída da guerra-contra-o-cigarro-paulistana, me deparo com um funcionário fumando em uma salinha minúscula dentro do aeroporto (enfatizando o lugar). Como? Não aguentei, perguntei pra outro brasileiro se era realmente isso que eu via, ele me confirmou.
Quando cheguei a rodoviária ainda sob a noite portenha, o cenário só me confirmou o que eu pensava, o cigarro é descriminalizado por aqui! Sim, ainda estou falando do cigarro básico, vendido em qualquer esquina, de tabaco e talz. O que quero dizer é que não há barreiras legais muito menos sociais para fumar em qualquer canto que cada um entende. Inclusive é possível ser atendido por uma senhora e seu cigarro em uma livraria. Ou muitos alunos e aquela fumaça dentro do prédio fechado da faculdade (em salas de aula nunca presenciei, penso que há alguma barreira social ou institucional). Assim, o cigarro é dos 15 aos 80 (talvez chutando alto pras idades) usado e abusado (assim como a frequencia em todas as idades é superior ao Brasil). Aqui fumantes não precisam passar frio ou se isolarem na balada pra saborear seu vício! Creio que os fumantes devam estar delirando com a informação. hahahaha...
O cenário é um tanto assustador mas muito provável o contraste tão forte com São Paulo me abalou (também eu agradecia pela lei anti-fumo me proporcionar saídas de baladas sem parecer que fui eu quem fumei um maço de cigarro ou defumada, pronta, pra ir ao forno). Aqui também se vive a ciência da beleza e da saúde, porém o cigarro não tem todo esse peso contra uma vida saudável como no Brasil. Um traço que julgo remeter àquela argentina ainda tentando européia. Um peso a menos para aqueles apreciadores de uma cerveja e um cigarro: ainda existe vida saudável pros fumantes, e ela está na terra dos hermanitos! hahahahaha..

Já a arte do ritual do mate é cativante. Primeiro a forma de preparo: não se pega la hierba com a bombilla nunca, é preciso uma cucharita para coloca-la en el cebador. A água não pode estar fervendo. E depois o ritual: o primeiro que bebe sempre é a pessoa que prepara, bebe-se todo o mate. Depois coloca água mais uma vez e assim sucessivamente para todos que querem o mate, sempre bebendo tudo (geralmente muitas pessoas vão querer) até que la hierba se encuentra lavada. O mais legal é que isso acontece em qualquer lugar: em uma roda em um asado (churrasco), no trabalho, no meio da aula (inclusive com o professor participando). Não é necessário estar em roda para existir uma roda de mate. E sempre é preciso carregar seu cebador, sua garrafa térmica com água quente, la hierba (claro) e um potinho com açucar pra quem gosta. Isso tudo vai na mochila, bolsa, sacola, pra todos os cantos que for necessário. Claro que lá veio comentário gaúchos: isso mostra que somos mais parecidos com os argentinos! Enfim, né...
A roda do mate mostra o quanto os argentinos são receptivos, todos participam. Em algumas aulas, já fui incluída na roda do mate sem ninguém me conhecer. Sim, os argentinos são muito receptivos e solícitos com todos (inclusive com os hermanos brasileños). E a roda de mate só confirma essa hipótese!
Vida longa ao mate!!


Claro que as vezes o mate não é tão aceito, como em laboratórios! Assim, algumas salas apresentam esse aviso na porta. hahahahahah..
"..bebidas (e) mate.."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Balanço da primeira semana

Fui ao cinema, sentei na graminha da universidade, me perdi, saltitei com bandas listradas, xadrezas e de bolinhas tocando, fiz yakissoba, me achei, comi e comparti brigadeiro de panela, me perdi e me achei tantas outras vezes. Enfim, já me sinto em casa!

O primeiro festival que fui, Indie-O Fest, compartilho em fotitos:

 Bam Bam: indie rock mexicano e enérgico!

Big Pink



Little Dragon e a japa fofa que lembra Bjork:


E o mais esperado: Deerhunter!


E Marnie Stern, que já tinha tocado, bêbada, entra no palco e causa!

Bundinha nele que nem bunda tem!

Ou, pela cara de satisfação de Marnie, tem e ela descobriu!


O baixista mais gracioso e fofo do universo:


;-)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Que viva México!

É um tanto automático perceber um lugar novo embasados em nossas referências. A comparação, ainda mais se tratando de duas cidades-monstros, é inevitável. Quando saí e cheguei, ainda estava escuro, então tanto São Paulo como a Cidade do México, olhando de cima, tinha um aspecto natalino, em proporções gigantescas! O que dá a impressão de que a Terra não é azul, e sim cheia de bolinhas amarelas, algumas brancas, poucas vermelhas, outras que piscam e algumas que se movimentam continua e ordenadamente. Fica evidente que São Paulo gosta de curvas, enquanto a Cidade do México prefere as retas. Fato que facilita muita a vida dos portadores de desorientação topográfica aguda, ou estúpidos geográficos, assim, como eu.

Prometo que não vou fazer do blog um diário, mas tenho que contar como foram os primeiros dias para se ter uma idéia do sentimento que me acometeu. Entonces, mi cariño diário: O primeiro dia, saí com minha anfitriã e suas amigas. Fomos a uma feira charmosa de antiguidades e afins, algo que me remeteu de imediato a Benedito Calixto, porém com mais árvores e pessoas passeando com seus cachorros. O segundo dia, saí sozinha e fui ao centro da cidade, a Praça da Catedral, zona que foi construída por cima de uma lago há muitos anos atrás e aos pouquinhos está afundando. Quando saltei do metrô e dei uma olhada 360 graus, fiquei impressionada como nunca na vida. Foi que me dei conta que estava no México, cabrón! E não tinha nada igual. Minhas referências já não comportavam, não havia nada que pudesse comparar. E fui tomada de assalto por uma emoção tão forte que comecei a chorar como uma criança. Fiquei sem chão, mas foi como se flutuasse.

domingo, 18 de abril de 2010

Publicidade estranha!

Eu sei, vira e mexe aparecem propagandas que só publicitário entende. Mas essa aqui me surpreendeu:

Qualé dos "menos 50.000"? La Serenisima é uma marca bem famosa e de qualidade, e a relação com os "menos de 50.00. Las 24hs. Los 365 días del año"???

Pois bem, a explicação consegue ser mais estranha que a própria propaganda:


Sim, as bactérias! Pq o que é mais importante na qualidade do seu leite que ter meno de 50.000 bactérias por ml?? (como assim 50.000 bactérias no meu leite). Só La Serenisima te livra desse mal.

Cadê o publicitário disso aqui?????

quinta-feira, 15 de abril de 2010

La RAE!


Não só de Argentina se vive na RAE. Aliás, muitas vezes, a gente respira Argentina mas vive Brasil, México, Espanha, Paraguai, Colômbia. França e até Marrocos. Essa é a RAE!
A RAE foi realmente uma surpresa, em meio de 30 pessoas conseguimos a diversidade na sua máxima expressão, gostos, costumes, vontades, expressões, ânimos e, claro, objetivos na Argentina. E nesse caldeirão, todos vão se influenciando: de repente, você cruza com aquele cara que disse que não veio pra estudar na sala de estudos (e na sala de estudos as pessoas vão realmente só pra estudar), ou quando vamos em multirão pra um barzinho dançar e todos vão! Isso é sempre uma surpresa boa. Assim, ao mesmo tempo que somos tão diferentes, a situação nos une: todos em um país diferente, em uma casa gigante, com bagunça, louça suja, várias coisas com problemas. E a forma mais fácil de lidar é nos unindo.

Dizem que a RAE é um pedacinho de verde e amarelo em Santa Fé, somos em 22 brasileiros: RS, SP, MG, PR e SC. Só daí já deu um caldo grosso, com direito a dicionário gauchês que vestem a camiseta do seu estado. Mas a RAE é multicultural: o cheiro da comida é sem dúvida mexicano, com os pimentões verdes, amarelos, vermelhos; o som da cozinha é colombiano, muito alta (muitas vezes sem noção de alta); a roupa mais impactante é marroquina (marroquino de túnica); mas a língua oficial ainda é o português. E a bebida é italiana. FERNET!
É o único lugar onde se bebe fernet com freqüência sem ser a Itália: ARGENTINA. Então, pra nós da RAE, o fernet é argentino e não tem o que discutir.
Pra quem não conhece, aí vai algumas reações pós primeiro gole (2º, 3º, 4º, 5º acho que até o vigésimo):







Mayara e o biquinho
Diosana


Fazer o que, é a bebida oficial da RAE! yayayayaya...
Ah, não é pra tomar puro, é com coca. Mas nos jogos de carta, é uma dose pura (claro que quem não aguenta, rola uma coquinha).

Viva a Argentina!

Inclusive umas meninas daqui fizeram um vídeo para uma disciplina sobre a RAE e o multiculturalismo. Miraí!




PS: RAE (Residencia de Alumnos Extranjeros)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Enfim Argentina...



Enfim Argentina.

Depois de tanto tempo sonhando com um possível intercâmbio acadêmico eis que me acho do lado do meu país. Porém tudo é novo e diferente, para demonstrar que é na pele que a diversidade mais arde.
Um arder não de dor e sim que mostra a força dessa imensidão do mundo (e da pequenez do nosso mundinho).

Vamos a Argentina. Repetindo: "enfim Argentina".
Acho que sempre quis conhecer esse lugar. A europa com sangue latino pulsando.
Esses dias vendo "El secreto de sus ojos" percebi qual era minha impressão da Argentina: um filme cult espanhol de sotaque bonito. Sim, o sotaque é lindo!!!! Apesar de ser perceptível que existe um pé atrás (pra não falar de comentários preconceituosos) em relação ao sotaque argentino dos outros falantes da língua espanhola que vivem comigo.
Pra ser mais explícita, aqui o "y" e "ll" ganha o som de "x" (e isso vira uma verdadeira língua da xuxa às vezes). Não sabiam? Nem eu! Mas já percebia que gostava e já trato de descolonizar o meu sotaque.

Voltando a idéia do filme cult. Olha que coisa, todos aqui falam español!!! (jejejeje - como se escreve as risadinhas por aqui). Outros falam castellano (dizem que é a mesma coisa). E conseguimos nos entender com los hermanos falando em português. O cenário é essencial pra cena, casas sem jardim, construídas logo depois da calçada (acredito que a maioria tenha pátio interno como a minha casa tem), poucas árvores na calçada, pessoas bem mais vestidas que no Brasil e um povo muito prestativo (claro com suas exceções).
Pra completar, cheguei em um dia frio de Buenos Aires, o que deixava o cenário muito mais charmoso (apesar de amar o calor).

Primeiras impressões boníssimas fazem muito bem.