Muito da Cidade do México me lembra infância e não é por causa do Chaves. Estranho se considerar que nunca vivi aqui e, quando criança, México não passava de uma vila de vizinhos caricatos em des-virtudes e uma fogueira no final da tarde em Acapulco.
O metrô, não importa o quão cheio, é tomado por vozes nasais dos ambulantes vendendo tudo quanto quinquilharia em promoções imperdíveis. Tenho a impressão que os CDs de mp3 são o melhor negócio. Os vendedores usam um sistema bem desenvolvido: carregam uma mochila com design exclusivo para acoplar caixas de som, conectadas ao cd player. Assim, vão passando as faixas em alto e bom som para que se conheça as músicas. Tem pra todos os gostos, para as ‘chicas enamoradas’, temas religiosos para crianças, os hits gringos, as regionais dançantes, Beatles, as clássicas-bregas e até Fagner e Roberto Carlos em espanhol. Só não sei quem veio primeiro, ‘Borbujas de amor’ ou ‘Borbulhas de Amor’. Já o Rei é sensação por aqui, um arraso! Inclusive tem show dele pelas bandas de cá.
Quase todas as calçadas ao redor das estações são habitadas por barracas de comida, roupa, bijuterias, sucos, livros, baboseiras, calçados e tudo o mais. Vale mencionar que a tolerância oficial é grande em relação ao trabalho informal e não regulamentado.
Há também os carros de ‘tamales’ que passam aqui na rua. Sabe ‘pamóóónhas de piracicaba, pamóóónhas fresquinhas, pamóónhas caseiras, é o purcremedo milho!’? Algo assim versão mexicana. Curioso que já ouvi passarem quando era quase 11 da noite. Tem também o mercadão aqui do bairro, onde os vendedores te chamam de amiga e convidam com criativos argumentos a comprar suas frutas e verduras fresquinhas, as melhores relíquias da praça. Não muito distinto das feiras de rua brasileiras, só que sem a dupla imbatível barraca do pastel + Kombi de caldo de cana, e com uma sessão extra de tendas de carnes aterrorizadora, que creio ser proporcional ao consumo. Além dos fuscas.
Outro país, outra língua, outro continente, outra história e uma boa porção de água e terra que nos separa. No entanto, um tantão de coisas que nos aproxima, que faz meu cotidiano familiar e até um bocado nostálgico.
é, o pessoal daqui que foi pra Ciudad diz isso também, da similiradidade incrível, principalmente com São Paulo. Mútua admiração entre essas duas culturas.
ResponderExcluirOi Tha, o comentário das "tendas das carnes aterrozantes" me deixou curioso e com um pouco de fome :)
ResponderExcluirsaudades, ITA
Brasil exportando (ou seria importando?) a cultura dos camelôs!!
ResponderExcluir"... pamóóónhas de piracicaba, pamóóónhas fresquinhas, pamóónhas caseiras, é o purcremedo milho!": minha terra natal mundialmente famosa!
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